Arte Contemporânea &amp | Renascimento

Tarô Imaginário by Miguel Gontijo

 

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Tarô Imaginário por Miguel Gontijo

Sobre certos aspectos, falar da obra do artista Fernando Medeiros é falar do meu próprio processo de trabalho.
Às vezes me pergunto por que essa tendência de reviver a partir de obras de outros autores? Por que essa necessidade de apoiar-me em obras consagradas e respeitadas?
É um salto no vazio!
Talvez para sentir que sou parte integrante do outro?
Talvez uma forma de alento, de tomar forças e seguir adiante?
E mesmo assim, cego; tropeço em imagens, que estão por toda parte.
Fora de mim, fornecendo-me espessura; dentro de mim, fornecendo-me avidez.
É impossível detê-las!
Sinto-me louco, atordoado: onde estou?
Creio que elas não residem na cabeça.
Existo em imagens, vivo de imagens, como imagens, expurgo imagens.
Todo o universo está aqui comigo e se renova com uma velocidade espantosa. Vivo a deriva das imagens, nelas emparedado, onde tudo cede, tudo abre e se lacra constantemente.
Minha draga imaginária.
Ah!… Meus sonhos!
Loucos sonhos que me conduzem a vida.

Conheci as cartas de tarô de Fernando Medeiros há pouco tempo. Ainda não sei dizer ao certo o que me seduziu.
O espelho?
A liberdade, a vontade de fazer, a garra e a ideologia presenciada nos seus trabalhos e na sua personalidade de artista?
Ambos se complementam e se tornam uníssonos.
Seu trabalho desenvolve-se entre a ilustração, o grafismo, a pintura e é fortemente influenciado pela cultura popular. Linhas limpas, tons pastéis, onde os personagens parecem representar, emanando um sentimento de mistério, magia e abstração. O artista cria justaposições inesperadas com uma atenção obsessiva para com os detalhes, deixando sempre a possibilidade de que ocorra alguma coisa inesperada, seja no seu processo de criação, ou no nosso olhar de espectador. Experimenta e descobre soluções onde a forma não torna mera decoração. Nesse seu mundo não há uma razão lógica, e sim uma combinação de ideias, desenhos, cor e humor. Diferentes linguagens gráficas criam um vocabulário visual flexível e variado. A abordagem temática é intuitiva e aberta a vários níveis de interpretação.

Os trabalhos de Fernando são multidisciplinares. As suas combinações de elementos visuais, do ponto de vista criativo, são, ao mesmo tempo, claras e desordenadas, velhas e novas, comunicativas e abstratas, reais e ficcionais, dramáticas e trágicas, habitando entre o passado e o presente. Essas imagens nos são apresentadas como num jogo de espelhos, numa visão da memória, dentro de um teatro de ironias, num jogo de fogo e de cinzas.
Um trabalho investigativo, eficaz e divertido, realizado com a mistura de meios de comunicação e colagens digitais. Um Bosch contemporâneo que perdeu o pincel, ou o trocou pelo computador. Tudo executado um segundo antes do seu big bangparticular.

 

Miguel Gontijo
Artista plástico  –  Janeiro de 2016